Conheça o Vale do Jequitinhonha

Reza a lenda que Jequitinhonha, nome do principal rio que banha a região, originou-se dos índios que habitavam o Vale. Eles usavam o “jequi”, uma espécie de armadilha em forma de um “puça” para pegar peixe, também chamado de onhas. O índio armava o jequi no rio ao entardecer e, na manhã seguinte, o pai falava para o filho: “Vai menino, vai ver se no jequi tem onha”. Uma alusão a essa lenda foi feita nos versos da música “No Jequi tem onha”, do poeta Gonzaga Medeiros. “Conta, canta contador, Conta a história que eu pedi Dizem que o Jequi tem onha, Conta as onhas do jequi”. Arquivo do Programa Pólo de Integração da UFMG São Francisco feito em barro pelo artesão Paulo A própria presença indígena na origem do nome revela que a ocupação do Vale não é um fenômeno recente. Pelo contrário, teve início por volta de 1550, uma época marcada por várias incursões dos bandeirantes no Alto Jequitinhonha em busca de ouro e diamantes.A primeira reserva de ouro foi encontrada na cidade do Serro, no final do século XVIII, atraindo um grande fluxo de garimpeiros para as proximidades. Assim, formaram-se os primeiros núcleos de mineiros em Diamantina, Minas Novas e Grão Mogol. A formação de vilas, povoados e pequenas cidades aconteceu logo em seguida, quando a mineração começou a se tornar uma atividade altamente lucrativa para os mineradores. Vale em números Em contraste à opulência econômica que caracterizou a região durante o período colonial, a realidade é que hoje o Vale do Jequitinhonha é uma das regiões mais pobres e estagnadas de Minas Gerais. Situado no nordeste do estado, o Vale ocupa uma área de 79 mil km2, com uma população de aproximadamente 940 mil habitantes. É composto, hoje, por 75 municípios, dos quais 52 estão organizados nas microrregiões Alto, Médio e Baixo Jequitinhonha, e 23 estão integrados à antiga área mineira da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE. A região caracteriza-se por intenso fluxo migratório, pequena oferta de emprego e baixa taxa de urbanização.

Seu PIB total corresponde a menos de 2,0% do PIB estadual. A agropecuária é caracterizada pela pecuária de corte e uma agricultura na qual predomina a pequena produção de alimentos básicos, atividade pouco dinâmica, descapitalizada e com baixa utilização de insumos e equipamentos modernos. O Vale dispõe de uma precária base industrial, caracterizando-se como uma região sem tradição no setor, que é composto especialmente por pequenas e micro empresas, sem dinamismo econômico, que absorvem uma parcela minúscula da mão-de-obra. Uma das características mais marcantes do Vale é o aspecto contrastante da sua realidade econômica. De um lado, a riqueza destacada pelas potencialidades do sub-solo, promissor em recursos minerais, de seu patrimônio histórico e cultural, referência para Minas Gerais e para o Brasil, de seu artesanato diversificado e de seus múltiplos atrativos turísticos. De outro, a extrema pobreza em que vive grande parte de sua população. Todos os municípios apresentam problemas nas áreas de saúde, saneamento e educação. O meio-ambiente vem sendo sistematicamente agredido pela atividade mineradora, comprometendo seus recursos hídricos. (acesse mais números e saiba mais sobre o Vale).

Fontes: Catálogo Pólo Jequitinhonha 10 anos http://www.onhas.com.br